A ciência está sempre a mudar, é facto consumado.
O que também é facto é que existem certas teorias para as quais esse pensamento parece não ser válido. É o caso da Teoria da Relatividade de Einstein. Mas e se, realmente, esta não fôr válida? Parece impossível, visto vigorar há tanto tempo. Mas , punhamos a hipótese: será? Deixo aqui uma pequena noticia sobre a Teoria de João Magueijo, cientista Português que teve a ousadia de questionar um dos maiores cientistas até hoje conhecidos. Reflictam e deêm a vossa opinião.
«João Magueijo (JM) é um cosmólogo com largo reconhecimento
internacional, antigo aluno Faculdade de Ciências da Universidade de
Lisboa (FCUL), onde concluiu a licenciatura em Física. Actualmente, é
professor de Física Teórica no Imperial College da Universidade de
Londres, depois de ter passado pela Universidade de Cambridge (St.
John’s College) onde fez o seu doutoramento (Trinity College).
Nos últimos anos atingiu uma maior notoriedade, que se tem traduzido
numa presença frequente nos órgãos de comunicação, na sequência
de vários trabalhos publicados em colaboração com alguns
reconhecidos cosmólogos (Andreas Albrecht e John Barrow) ou
isoladamente, nos quais desenvolve um quadro alternativo para resolver
os famosos enigmas do modelo de Big Bang do Universo. Na
perspectiva deste modelo, a grande uniformidade do Universo (a sua
homogeneidade e isotropia, bem como as flutuações de densidade
que estão na origem da formação de galáxias, eram assumidas como
“condições iniciais” da teoria, sem nenhuma explicação aparente. Até
há bem pouco tempo, todas as tentativas de ultrapassar este quadro e
oferecer uma explicação com base em processos físicos calculáveis
passavam por um Cenário Inflacionário no qual o Universo sofria um
período de expansão acelerada, produzida por um campo enigmático
conhecido pelo “inflatão”. O mecanismo deste campo traduzia-se
numa modificação do conteúdo material do Universo de tal modo que
a gravidade ordinária de Einstein se tornava repulsiva e provocava uma
fase de expansão “superluminal” do Universo.
JM e seus colaboradores interrogavam-se se seria a inflação a
verdadeira solução para os enigmas do Big Bang. E numa tentativa de
enriquecer o debate, avançaram outra alternativa à cosmologia
inflacionária: em vez de alterar o conteúdo material do Universo,
optaram por admitir uma velocidade da luz muito mais elevada no
Universo primitivo, seguida de uma desaceleração para o seu valor
actual. Com isto, conseguiram desenvolver um novo cenário onde
grande parte dos referidos enigmas era resolvida. Porém esta alteração,
a princípio admitida como uma simples hipótese de trabalho, não é
aceite pela comunidade científica por entrar em conflito com a física
actual, pois colide com um dos Postulados da Teoria da Relatividade
Restrita de Einstein, o postulado da invariância da velocidade da luz no
vácuo, c. Desde então, c é considerada como uma das constantes
universais da física. Assim, a hipótese de JM e seus colaboradores vem
chocar com um dos princípios sacrossantos da física moderna. É claro
que JM tem perfeita consciência desta dificuldade, e por isso mesmo
tem procurado ultimamente construir um quadro fisicamente razoável
para desenvolver as teorias da velocidade da luz variável, que tem
repercussões praticamente em toda a física actual. Daí a grande
importância das investigações deste físico português a trabalhar no
Reino Unido. Só o futuro dirá se estas teorias serão levadas a bom porto,
apesar das naturais reticências levantadas por muitos físicos. Por mim,
defendo que todos temos a ganhar com o enriquecimento de um
debate que vai com certeza proporcionar uma melhor fundamentação
das teorias físicas. Mas será que esta via tornará mais viável uma teoria
quântica da gravitação? Ou será antes o caso que estes dois belos
edifícios construídos no século XX permanecerão definitivamente
separados, como alguns sugerem?»
Lisboa, 8 de Janeiro de 2007
Paulo Crawford
Fonte:cosmo.fis.fc.ul.pt
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